terça-feira, 15 de setembro de 2026

Monty Python ainda existe? Saiba por onde andam os integrantes do grupo britânico

Imagem: Reprodução / Google

Dos seis integrantes da formação clássica, quatro estão vivos e continuam envolvidos em projetos de comédia, cinema, literatura e televisão

Mais de cinco décadas depois de Monty Python's Flying Circus estrear na televisão britânica, o humor absurdo do Monty Python continua encontrando novas gerações. Filmes como Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, A Vida de Brian e O Sentido da Vida permanecem referências da comédia — e acabam provocando uma pergunta inevitável em quem redescobre o grupo: afinal, o que aconteceu com os integrantes do Monty Python?

A resposta pode surpreender. Dos seis integrantes da formação original, quatro estão vivos em 2026: John Cleese, Eric Idle, Michael Palin e Terry Gilliam. Graham Chapman morreu em 1989 e Terry Jones em 2020.

E os sobreviventes estão longe de terem desaparecido.

John Cleese continua nos palcos

Aos 86 anos, John Cleese segue trabalhando e explorando justamente a longevidade como parte de seu humor.

Em 2026, o comediante continua realizando apresentações relacionadas aos 50 anos de Monty Python and the Holy Grail. O espetáculo combina a exibição do clássico com uma conversa e sessão de perguntas e respostas com Cleese, incluindo histórias dos bastidores da produção.

Fora do Monty Python, Cleese construiu uma carreira extensa. Criou e estrelou a série Fawlty Towers, participou de Um Peixe Chamado Wanda e apareceu em franquias como Harry Potter, 007 e Shrek.

E aparentemente ainda não perdeu a vontade de reunir alguns velhos amigos.

Michael Palin continua viajando pelo mundo

Michael Palin, de 83 anos, seguiu um caminho bastante diferente depois dos anos de Python e se tornou também um dos mais conhecidos apresentadores britânicos de programas de viagem.

Em 2026, Palin continua ativo. Seu projeto mais recente o levou às Filipinas e originou uma série de televisão, livro e uma nova turnê britânica, na qual conta histórias e mostra imagens dos bastidores da viagem.

É uma segunda carreira tão consolidada que alguém que conheça Palin apenas por seus documentários talvez nem imagine que ele é o mesmo homem responsável por alguns dos personagens mais absurdos do Monty Python.

Sim, aquele simpático senhor viajando pelo mundo também pertence ao grupo que nos deu a Inquisição Espanhola.

Eric Idle está em turnê

Outro Python bastante ativo é Eric Idle, também com 83 anos.

Idle está realizando em setembro de 2026 uma turnê relacionada ao lançamento de seu novo livro, com apresentações no Reino Unido antes de seguir para uma série de eventos nos Estados Unidos.

Entre suas contribuições mais conhecidas ao universo Python está a música “Always Look on the Bright Side of Life”, originalmente apresentada em A Vida de Brian e que acabou ganhando uma existência própria fora do filme.

Idle também foi responsável pela criação do musical Spamalot, inspirado em Monty Python and the Holy Grail.

E Terry Gilliam?

Terry Gilliam, de 85 anos, sempre foi uma figura um pouco diferente dentro do grupo.

Nascido nos Estados Unidos, ele foi o responsável pelas famosas animações em recortes que ajudaram a criar a identidade visual completamente surreal de Monty Python's Flying Circus.

Depois do Python, Gilliam se consolidou como cineasta, dirigindo produções como Brazil: O Filme, Os 12 Macacos, As Aventuras do Barão de Munchausen e Medo e Delírio.

Também dividiu com Terry Jones a direção de Monty Python and the Holy Grail.

Graham Chapman morreu aos 48 anos

O primeiro integrante perdido pelo grupo foi Graham Chapman, em 4 de outubro de 1989, aos 48 anos, após enfrentar um câncer.

Chapman ocupou um lugar especial na filmografia do Python porque protagonizou dois de seus filmes mais importantes: foi o Rei Arthur em Monty Python and the Holy Grail e Brian Cohen em A Vida de Brian.

Sua despedida também entrou para a história do grupo.

No memorial de Chapman, John Cleese transformou a homenagem ao amigo em uma continuação do espírito irreverente que os dois haviam compartilhado durante décadas, inclusive fazendo referências ao clássico esquete do papagaio morto.

Terry Jones morreu em 2020

Terry Jones morreu em janeiro de 2020, aos 77 anos.

Além de atuar e escrever, Jones teve importância fundamental atrás das câmeras. Codirigiu Monty Python and the Holy Grail com Terry Gilliam e assumiu sozinho a direção de A Vida de Brian e O Sentido da Vida.

Jones também foi historiador, escritor de livros infantis e documentarista.

Sua parceria criativa com Michael Palin existia desde antes da formação do Python e ajudou a construir parte considerável do estilo que posteriormente definiria o grupo.

Então o Monty Python ainda existe?

Como grupo de produção regular, o Monty Python pertence essencialmente à história. O próprio site oficial considera que a formação original chegou ao fim com a morte de Graham Chapman, em 1989.

Isso, porém, nunca impediu reuniões posteriores.

Em 2014, os cinco integrantes então sobreviventes voltaram ao palco para Monty Python Live (Mostly), realizado na O2 Arena, em Londres.

E 2026 trouxe novamente conversas sobre um reencontro parcial.

John Cleese revelou em junho que ele, Michael Palin e Terry Gilliam discutiam realizar algum tipo de apresentação juntos no final de 2026. Cleese resumiu a proposta com o espírito habitual do grupo: seria uma oportunidade para os três se encontrarem, insultarem uns aos outros e discutirem seus respectivos defeitos.

Eric Idle, entretanto, não fazia parte dos planos divulgados.

Até setembro, não havia sido anunciado um retorno oficial da formação sobrevivente do Monty Python aos moldes do espetáculo de 2014.

Portanto, talvez a melhor resposta para a pergunta seja outra bem ao estilo Python: o Monty Python pode não estar exatamente funcionando como grupo, mas também se recusa terminantemente a desaparecer.

Criado em 1969 por Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Terry Gilliam, o grupo transformou a comédia britânica ao abandonar estruturas tradicionais de esquetes e apostar em histórias que podiam simplesmente se interromper, colidir umas com as outras ou terminar sem qualquer conclusão.

Mais de meio século depois, quatro daqueles seis homens continuam por aí.

E, aparentemente, ainda acham graça uns dos outros.